05|10|2007 - Diversão com Seis Cilindros

 

No mundo dos carros esportivos, algumas siglas representam o prestígio das marcas e são motivo de orgulho para seus proprietários: Z, GT, GTS, GTB, dentre outras. Nesse pequeno universo, uma sempre impôs respeito, com a grife Chevrolet: Separated Seats, ou, simplesmente SS, para sua legião de admiradores. Embora muita gente acredite que o significado da lendária sigla fosse “Super Sport”, na verdade, ela faz menção a uma característica essencial dessa versão esportiva – os bancos dianteiros separados – em vez do inteiriço que equipava a versão “normal”.


A opala é uma pedra multicolorida encontrada em várias partes do globo, sendo, para muitos, um símbolo de esperança e pureza. O carro, por sua vez, foi lançado por aqui no ano de 1968, com grande alarde por parte da fábrica, que utilizou o slogan “O carro certíssimo” para defini-lo. Como características básicas trazia motores de 2,5 e 3,8 litros – com quatro e seis cilindros, respectivamente -, pneus sem câmara de ar e alavanca de câmbio na coluna de direção.

O motor de seis cilindros fez do Opala o carro mais rápido do país. Tudo ia bem, até a chegada de seu maior concorrente, o Dodge Dart, em 1969. O V8 passou então a ocupar a posição do Chevrolet do lado esquerdo da estrada. Mas a resposta estava a caminho.
Em julho do ano seguinte – enquanto a música Madalena de Elis Regina estourava nas paradas de sucesso – a nova versão chegava às concessionárias. Faixas pretas sobre o capô, rodas de tala larga, bancos individuais e o novo motor de 4,1 litros e 140 cavalos, foram o cartão de visitas do modelo SS. A esportividade ficava mais evidente com o câmbio de quatro marchas no assoalho e volante de três raios. Nessa época, era produzido somente na versão quatro portas.
“Desperte o grande piloto que existe em você” dizia um folheto publicitário de 1972. Nesse ano, chegava a versão cupê do SS, salientando ainda mais sua alma esportiva. O novo estilo fastback com linhas sedutoras o tornou ainda mais desejado pelos consumidores.

Mas a crise do petróleo – sempre ela – causou um desabastecimento em todo o mundo, forçando a indústria automobilística a buscar novas soluções energéticas. A Chevrolet lançou então um SS de quatro cilindros, que utilizava o motor 151-S, com dupla carburação, desenvolvendo 98 cavalos de potência. Externamente, capô em preto fosco e cores pra lá de exóticas diferenciavam o modelo.
O ano de 1975 marca a primeira reestilização do Opala. Estilo mais moderno, lançamento da “irmã” Caravan e algumas melhorias na suspensão deixaram o carro mais estável. A novidade para os amantes da performance viria no ano seguinte, com a chegada do lendário motor 250-S equipando o esportivo. O propulsor “vermelho” despejava 171 cavalos de potência e se tornou referência no Brasil inteiro, sendo uma “pedra no sapato” dos Mavericks e Chargers.

Até o final da década, não haveria grandes novidades para o modelo, com exceção do lançamento da Caravan SS – que apresentava um belo pacote estético - e do espelho retrovisor do lado direito, de série a partir de então.

Mas os tempos eram de mudança no início da década seguinte e a versão SS se despediu de seu público no final de 1980. O modelo deixou saudades e desperta nostalgia quando passa pelas ruas com o famoso “estalar” das trocas de marcha e a sinfonia afinada dos seis cilindros em linha.


Renato Bellote Gomes, 26 anos, é bacharel em Direito e assina quatro colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor também publica textos na Espanha, Chile e Uruguai. Desde o ano passado, é correspondente do site português Lusomotores



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